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Perdas Irreparáveis

  • Foto do escritor: Ana Paula  Cavalheiro
    Ana Paula Cavalheiro
  • 26 de jun. de 2022
  • 2 min de leitura

Perdas Irreparáveis


Em memória do Sr. Francisco Cezar da Cruz, baiano, pai errante, homem tentante, ainda sim pleno em suas realizações



Em tempos de tantos lutos, talvez não seja excessivo falar sobre as perdas irreparáveis de nossas vidas. Perdas estas que nos trazem uma dor imediata e cortante, deixa-nos marcas e cicatrizes emocionais, com as quais teremos que aprender a conviver.

Tais perdas são tão doloridas que, por vezes, provocam mudanças em nossa conduta diante da vida, fazem-nos refletir sobre os sentidos que nos levam para os caminhos escolhidos e fazem de nós algo além de uma existência vazia.

Quem somos? O que estamos fazendo aqui? Por que escolhemos certos caminhos e não outros? Enfim.

Perguntas existenciais que nos acompanham por toda a eternidade e perguntas que não se vangloriam por terem uma resposta simplificada, pelo contrário, somos o que fizeram de nós, o resumo de tudo que vimos, escutamos, assistimos e participamos, não somos sozinhos, e nem estamos finalizados, mas, porém, as consequências são sentidas num peso mais contundente por aqueles que, supostamente, detêm a liberdade dessas mesmas escolhas.

A dor, o sofrimento, fazem parte de uma existência saudável. Não nos saberíamos felizes se não experimentássemos, em certa medida, um pouco da dor da vida. Na verdade, os dias são muito mais preenchidos por dores do que felicidades.

A felicidade são instantes concentrados em pequenos momentos cinematográficos. O resto do tempo amargamos toda uma realidade repleta de problemas a serem resolvidos, contas a serem pagas, dores, perdas, frustrações, inimizades, descontentamentos, faltas, abandonos, enfim, se a vida fosse medida apenas por seu montante de sofrimento, já estaria extinta há algum tempo.

Sendo assim, esses instantes felizes, esses encontros alegres -às vezes tão sutis, discretos em suas aparições, tímidos em meio a tanto caos, tantas manifestações inócuas de existências vazias- têm valido pena, mantém-nos atentos, desejosos, ansiando por mais e mais.

O que devemos fazer, então? Agarrar-nos em todos os movimentos que nos fazem querer viver. Toda vida desejada deve valer o esforço em mantê-la aquecida, infiltrando diretamente em nossos sonhos mais acolhedores.

Com isso, não estou dizendo que devemos viver no princípio do prazer absoluto, só fazendo aquilo que dê algum tipo de prazer, do contrário descartamos. Não dá! Porque temos responsabilidades e obrigações, mas, sim que não podemos desconsiderar a relevância dos movimentos de vida, assim como os sonhos, que nos trazem uma brisa de esperança suave a acariciar nossos desejos mais íntimos.

Amanhã sempre será um novo dia. Momento de desejar por mais. Esperança de um caminhar que nos apraz.

 
 
 

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